Chevrolet Sonic: novo rival de Tera, Pulse e Kardian é só um Onix bombado?

O Chevrolet Sonic é o novo integrante do segmento dos pequenos SUVs derivados de hatches compactos. Traduzindo, ele é o novo rival de Fiat Pulse, Renault Kardian e Volkswagen Tera, e aposta nos preços mais baixos como principal trunfo. Mas será o suficiente?

QUATRO RODAS conheceu de perto e andou no novo Sonic em primeira mão. Para isso, contamos com a ajuda dos parceiros da concessionária West Motors, de Piracicaba (SP), que nos cedeu uma das primeiras unidades de test drive disponíveis no Brasil, na versão RS. À West Motors, fica o nosso agradecimento.

São duas versões diferentes para o SUV compacto, ambas de caráter topo de linha: Premier, por R$ 129.990; e RS, por R$ 135.990. Os preços são promocionais para o lançamento, embora a GM não especifique o período. Depois, os valores subirão para R$ 134.990 na Premier e, para R$ 140.990, na RS, conforme já divulga o site oficial da Chevrolet.

(Fernando Pires/Quatro Rodas)

A oferta de apenas duas versões completas aponta para duas principais estratégias. A primeira, de posicioná-lo contra as versões de topo de seus concorrentes, que cobram mais caro. O VW Tera High sai por R$ 146.190; o Renault Kardian Iconic custa R$ 149.990; o Fiat Pulse Impetus parte de R$ 151.490.

A outra estratégia é a de colocá-lo entre as versões de topo do Onix e as mais baratas do Tracker (desconsiderando a versão de entrada do SUV, voltada ao público PCD), evitando uma concorrência interna. Nos próximos meses haverá ainda a chegada do Onix Activ, versão aventureira a ser posicionada abaixo do Sonic.

Não é um SUV cupê

O Sonic busca inspirações em outros modelos da Chevrolet, embora abuse de soluções nada inéditas. Na dianteira, a inspiração, segundo a GM, veio dos SUVs maiores da marca – mas faróis divididos já são utilizados em diversos modelos de diversas marcas. No Sonic, há uma peça superior para assinatura e indicador de direção, uma intermediária para iluminação principal e, por final, faróis de neblina na base do para-choque. Todo o conjunto é em led, nas duas versões.

A diferenciação das versões se dá no acabamento. Enquanto a RS tem grades em colmeia e em preto brilhante, a Premier usa traços mais horizontais e insere elementos cromados na abertura principal.

Há mais personalidade na traseira, com claro olhar para o Equinox EV, especialmente pelas lanternas que invadem a tampa do porta-malas com uma iluminação tracejada. Foge da mesmice das lanternas interligadas por uma única barra e das pequenas lanternas dos concorrentes. A gravata da Chevrolet é sempre em preto, bem como os logotipos.

De lado, o Sonic evidencia sua origem: a lateral é a mesma do Onix, com repetição de portas, janelas e colunas, alterando apenas as extremidades dianteira e traseira. As rodas são sempre de 17 polegada, com desenhos e acabamento exclusivos para cada versão (diamantadas na Premier e pretas na RS).

Apesar disso, a GM diz que o modelo é um SUV cupê, como VW Nivus e Fiat Fastback – mas, na prática, não é. Seu formato convencional é o mesmo de Tera, Pulse e Kardian, o que fica claro no olhar e nas possibilidades estruturais, já que ele tem a carroceria do Onix como base, inclusive a coluna C.

Mais do que isso, o aerofólio exclusivo do modelo faz um prolongamento visual da lateral, tirando ainda mais qualquer possibilidade de se enxergar ali um SUV cupê – sem  a peça, talvez o apelo fosse maior. Tudo isso trata-se, no fim, de um marketing para diferenciar o modelo e tentar enquadrá-lo no segmento da moda. Mas não funciona.

Outros artifícios utilizados para distanciá-lo do Onix são a aplicação de molduras plásticas e o rack de teto (funcional, que leva até 50 kg), dando aparência mais aventureira. Estes, sim, fazem parte da categoria e combinam com o visual – reforçado pela suspensão mais alta, com 20 cm de altura em relação ao solo.

Fonte: Quatro Rodas